Eu ia te escrever agora um daqueles textos que você leria e sentiria um suspiro passando, uma brisa fresca metafórica que manda ar primaveril pro seu pulmão e depois você expira um sorriso. Eu ia escrever que você é a melhor coisa que já me aconteceu e que nada seria capaz de tirar do meu pedestal qualquer evento desimportante que nós inventemos. Não tem nada que me faça querer outra coisa. O amor sempre foi dito grande, belo e inconfundível, mas muita gente se confunde tentando amar. Eu não me confundo, não depois de ter admitido pra mim que agora um pedaço meu é teu também. Eu ia escrever mas a preguiça, o ar quente e a blusa abafada me atrapalharam. A rotina, o nariz entupido, o vento seco e a barra de espaço falhando me tiraram o gosto de traduzir em palavras o amor específico de mim pra você.
É difícil até me concentrar nessa tela branca enquanto sinto o rosto queimar, meus bonecos de chumbo olham cada um para um lado e eu tive que aumentar o som dos meus fones para que a realidade não entrasse de cara na gente de novo.
Acho que, como não vou conseguir escrever o que faz seu coração flutuar agora, fica aqui esse lembrete: mesmo na rotina eu te quero com uma xícara. Ou taça. Ou nada. Só sei que quero você, e dessa forma, mesmo individualista e te curtindo à distância, tenho você em mim e você me tem também. Gosto assim. Espero que você não se importe.