Acho muito triste como toda interação social termina em conformismo ou desilusão. Acho estranho como a sociedade e o ser humano se condicionou a isso e me sinto frustrada por não conseguir ser assim. Acabo abrindo mão de muita coisa por simplesmente ter o mesmo sentimento, resposta e interesse desde o começo. O que me faz desistir das pessoas é o fato delas desistirem de mim primeiro. Não conheci uma pessoa em vida que fosse diferente, única em sua maneira de pensar frente a tudo isso. Me pergunto realmente se a consciência social do ser humano é monogâmica ou minimalista como dizem, e cada vez faz menos sentido.
Sempre há algum tipo de padrão psicológico que consiste em mostrar o melhor do que pode ser e deixar toda a magia da conquista de lado após um certo tempo. Penso tanto que questiono a utilidade, e, quando vou ver, já me afastei. Não me sinto culpada, sabe, eu simplesmente não consigo me ver inserida em um ambiente que todos estão coexistindo e uma hora não faz mais sentido ser honesto, espontâneo, divertido. Devo ter muita ingenuidade sobrando pra achar que as pessoas me tratariam como as trato, ou pelo menos que teriam a honestidade de lidarem umas com as outras como realmente pensam. Prefiro muito que sejam bem colocadas em suas vontades e simplesmente se expressem, mas acho que o cotidiano tem uma névoa muito impenetrável que tampa todo tipo de impulso natural.
Por um lado, enxergo a importância de se reservar, e - Deus sabe - eu me reservo muito. Mas não vejo vantagem em deixar alguém supostamente entrar na sua vida e logo depois mudar todo o conceito de demonstração de convivência pacífica, partindo pra muitas camadas de cinza. No fundo, devo ser muito esquisita e anormal frente às outras pessoas, mas não sei até que ponto me considero infeliz. Eu fico infeliz porque não vejo nenhuma mentalidade similar à minha em nenhum lugar. Ninguém pensa como eu e isso machuca um pouco, me questiono sempre se devo mudar, mas mudar para o que? Pra um monte de gente que não segue as próprias vontades e sempre focam em objetivos secundários? Não quero escrever um livro pensando em quantas pessoas já escreveram sobre a mesma coisa e nem quanto dinheiro isso vai me trazer; quero escrever porque posso, porque quero, porque me daria satisfação ver alguma coisa que eu criei em uma projeção física, uma recordação transformada. Não quero estudar pra ver uma conclusão de uma etapa que, a meu ver, é desnecessária. Não quero aprender sobre alguma coisa que se desdobra em outra que me causa repúdia só porque comecei pensando que seria diferente. Não me vejo (e nem quero me ver) presa a algum objetivo infundado. Quero só que deixem todo o teatro pra trás e sejam sua essência, por mais que isso seja se expor, é pior do que se convencer a cada dia que não vale a pena. Quanto menos for interessante, menos vai acontecer, e assim todos nós afundamos dentro do hype da conquista, e no final não sobra nada, desaparece numa nuvem de fumaça. É impossível lapidar, modular e, principalmentea, recriar o que já foi despedaçado.