Não é a primeira vez que escrevo sobre esta senhora paciência. O que acontece é que quando falo dela, não falo muito, justamente porque ela não me permite. Mas hoje, com tanta indiferença pra lidar, ela não é meu maior problema e posso falar dela tranquilamente.
Minha paciência costumava demorar muito pra se esgotar. Demorava a ponto de eu achar junto com os outros que o estoque era infinito. Até que eu comecei a ter o péssimo, péssimo hábito de procurar saber de tudo, e querendo saber de tudo eu descobri como encontrar padrões. Padrões esses que se aplicam a pessoas, e essas pessoas não percebem que são analisadas por mim (o que eu devo agradecer muito, admito, senão não teria ninguém perto de mim, mesmo quem eu me importo).
A sensação que eu tenho a ver padrões é que nada de novo vai aparecer na minha vida, nunca. Com isso meu desinteresse pela humanidade vai a um nível absurdo, e eu não gosto disso. Não gosto porque sei que não vai me trazer lá muita diversão, quer dizer, afastar as pessoas por mostrar pra elas que elas não são tão únicas assim na minha cabeça não é o melhor jeito de fazer amigos.
Me faria muito bem voltar a não enxergar padrões e me enfiar de cabeça em qualquer experiência. Ganhar flores e olhar pra elas quando, na verdade, estaria olhando pra toda a perspetiva de romance que eu criaria na cabeça. Ir jantar e ficar daydreaming uma semana sobre o evento. Chorar e entender que sinto dor. Me frustrar por não esperar atitudes vindas das pessoas.
É muito ruim não chorar. Me sinto presa na própria ideia de não me prender a nada. Que coisa confusa e desnecessária. Podia muito bem estar jogando videogame ou lendo um livro andando na rua sem olhar quem vem na minha frente. Podia sentar e fumar um cigarro enquanto ouço música sem observar quem passa nas ruas e catalogar mentalmente o estilo de vida mais provável que elas levam. Podia até mesmo observar as pessoas, mas ao entrar no ônibus eu podia esquecer o assunto e voltar a atenção pras palavras cruzadas que tirei da mochila.
Podia fazer tanta coisa, se ao menos a senhora paciência não tivesse conhecido a indiferença e me colocado na festa delas.